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Skills em agentes de IA: guia para gestores do agro

Juliano Adão da Costa

Uma skill é um pacote de instruções e regras que ensina um agente de IA a executar uma tarefa sempre do mesmo jeito. Para quem gerencia uma operação do agro, é a forma de transformar um procedimento que hoje está na cabeça do analista em algo escrito, revisável e repetível.

O que é uma skill

Uma skill é uma pasta com um arquivo de instruções obrigatório, o SKILL.md, que descreve a tarefa, as regras a seguir e exemplos do resultado esperado.

O agente carrega, desde o início, apenas o nome e a descrição de cada skill instalada. O conteúdo completo do SKILL.md só entra em contexto quando o agente julga que a tarefa pede aquela skill. Arquivos de referência e scripts anexados são abertos depois, apenas quando necessários.

Na prática, a skill é o procedimento escrito de um especialista, colocado à disposição do agente para ser seguido sempre do mesmo jeito.

Por que isso importa no agro

Uma empresa do agro repete as mesmas tarefas todos os dias: conferir uma nota de entrega, calcular a paridade de um negócio, montar o resumo da posição de grãos. Quando cada pessoa faz do seu jeito, o resultado muda de um analista para outro, e o conhecimento fica na cabeça de quem executa.

A skill resolve dois problemas ao mesmo tempo. A regra de negócio passa a estar escrita e pode ser revisada, como qualquer procedimento da empresa. E o agente aplica essa regra sempre do mesmo jeito, inclusive para um colaborador novo.

Na comercialização de soja, um centavo de diferença no frete pode mudar a decisão de venda. Por isso a conta precisa ser a mesma toda vez.

Caso prático: a conta de paridade da soja

A paridade de uma praça é o preço do porto descontado o frete e as despesas até a praça. Quem faz essa conta à mão precisa converter unidades, aplicar o câmbio e lembrar de cada custo.

Uma skill para essa tarefa teria três partes:

  • Entradas: cotação em dólar por bushel, câmbio, prêmio, frete e praça.
  • Regras: um bushel de soja equivale a 60 libras, ou cerca de 27,2155 kg; logo, uma saca de 60 kg corresponde a aproximadamente 2,2046 bushels. A conversão e a ordem dos descontos devem estar fixadas no texto da skill.
  • Saída: a conta passo a passo, com o resultado em reais por saca.

Com isso, o agente devolve a mesma conta para qualquer praça, e o gestor confere cada linha antes de decidir.

A conta completa, passo a passo, com um exemplo numérico, está em Como calcular a paridade de exportação da soja.

Como estruturar uma skill

O SKILL.md é o ponto de entrada. Ele começa por um cabeçalho com dois campos obrigatórios, name e description, seguido das instruções em Markdown. Pelas regras da Anthropic, o name aceita até 64 caracteres, apenas letras minúsculas, números e hifens; a description aceita até 1.024 caracteres e deve ser escrita em terceira pessoa.

A description funciona como critério de ativação: é com ela que o agente decide se aquela skill serve para o pedido. Se for vaga, a skill nunca é carregada. Se for ampla demais, ela é carregada sem necessidade.

Detalhes longos saem do arquivo principal e vão para arquivos de referência citados diretamente no SKILL.md. Contas que precisam ser exatas vão para uma pasta de scripts, porque um script pronto é mais confiável do que pedir ao agente que gere o cálculo a cada uso.

A ordem prática para escrever uma skill:

  1. Defina a tarefa e o resultado esperado, com um exemplo real.
  2. Separe de três a cinco casos de teste antes de escrever o procedimento longo, e registre como o agente se comporta sem a skill. É a recomendação da própria Anthropic: avaliar primeiro, documentar depois.
  3. Escreva a description com o que a skill faz e quando usá-la, em linguagem de negócio.
  4. Liste as regras, as entradas e a saída, com um exemplo completo.
  5. Mova os detalhes longos para arquivos de referência e use scripts quando a conta precisar ser exata.

O SKILL.md deve ser enxuto. A recomendação da Anthropic é manter o corpo do arquivo abaixo de 500 linhas, porque ele entra inteiro em contexto sempre que a skill é acionada.

Cuidados antes de colocar em uso

Uma skill ensina o agente a repetir um procedimento. Se o procedimento estiver errado, o erro se repete sempre. Por isso, cada regra de negócio precisa de revisão de quem conhece o mercado antes de entrar em uso.

Skills rodam com as permissões do próprio agente, inclusive quando trazem scripts. Uma skill de origem desconhecida pode acessar arquivos e dados locais, ou buscar instruções em endereços externos. A orientação da Anthropic é usar apenas skills próprias ou de fonte confiável e, em caso de dúvida, revisar todos os arquivos do pacote antes de instalar, scripts incluídos.

A skill também não deve trazer caminhos fixos da sua máquina nem senhas. Para dados de clientes, como orçamentos, o acesso precisa ser controlado, e a LGPD se aplica. Para ações que alteram dados, a skill deve exigir confirmação antes de executar.

Próximos passos na COSTAWEBER

O caminho mais curto começa por uma tarefa repetida e de valor alto. A conta de paridade é um bom candidato, porque já tem regras definidas.

  1. Escrever a regra da paridade como skill, com as entradas, as conversões e a saída.
  2. Revisar a regra com quem conhece a operação comercial, antes de qualquer uso.
  3. Testar com casos reais de portos e praças, comparando o resultado com a conta feita à mão.
  4. Depois do teste, decidir se a skill roda no agente da equipe ou se vira ferramenta de um conector para uso no celular.

Fontes

Quer avaliar qual tarefa da sua operação vale virar uma skill? Fale com a COSTAWEBER no WhatsApp.

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